Tirando o véu do armário
Neven Samir tem 23 anos, está no último ano da faculdade de farmácia e, como qualquer outra garota da sua idade, usa jeans, tênis, e gosta de roupas de marcas globais famosas, como Nike. Ela ri muito, é daquelas jovens curiosas, que gosta de saber das últimas fofocas e, claro, também está a procura de seu grande amor. É uma garota normal, porém, se andasse pelas ruas do Brasil, todos os olhares se voltariam para ela. Tudo isso por causa de um simples acessório, que nunca sai de sua cabeça: o véu.
Neven é uma egípcia muçulmana e, conforme a lei islâmica prega, só deixa à vista seu rosto e suas mãos. Não que isso seja um problema para ela. Ela e suas colegas acreditam que o “hijab”, palavra árabe que denomina o véu que cobre os cabelos e pescoço, é sim um sinal de libertação. “É algo que a faz a mulher ser respeitada não pelo que aparenta, mas pelas suas atitudes”, explica Neven.
Nas imagens que chegam aos noticiários, pouquíssimas vezes estas mulheres cobertas têm alguma voz. Não só porque os homens dominam o cenário político, mas porque poucas delas gostam de se mostrar. Neven, por exemplo, ainda ressalta que uma mulher para ser apreciada, tem de ser discreta. “É bom não sorrir muito ou falar muito em público. Uma mulher que é bondosa e silenciosa sempre agrada mais.” Além disso, ela diz que andar coberta é sinal de que é uma boa pessoa. “Uma mulher que mostra o corpo não é boa, pois não se resguarda para seu marido e sua família.”
Mas quando o assunto é condição da mulher no Islã, vários aspectos são controversos. Apesar da religião pregar o respeito com a companheira do sexo feminino, alguns pontos culturais também estão presentes. Algumas mulheres ainda se cobrem mais do que a própria religião instrui, que é deixar apenas as mãos e os rostos descobertos. Algumas chegam a deixar apenas os olhos à mostra, ou em países como o Afeganistão, nem mesmo isso, utilizando-se da burka, tecido grosso que encobre todo o corpo.
A questão que poucos no ocidente entendem, é que boa parte das mulheres muçulmanas não se incomodam com o adereço. Mas sim se orgulham dele, e se cobrem com prazer. Para elas, além de uma propagação silenciosa da religião, é sinal de que se preservam e devem ser admiradas. Por isso mesmo, quando conto para algumas amigas muçulmanas que estou partindo para o Egito, sempre me vêm com a mesma pergunta: “Você vai usar hijab aqui?” Digo que sim, e a resposta é uníssona: “Você realmente é uma boa garota, será muito bom tê-la como amiga.”
Sabemos, porém, que assim como em muitas comunidades em outros lugares do mundo, não é fácil para a mulher conquistar seus direitos. Isso faz parte de uma tradição paternalista presente na maioria das culturas, assim como nos povos árabes, os mais conhecidos por terem aderido à religião muçulmana. No mundo muçulmano não é diferente: em muitos casos, as mulheres são colocadas em segundo plano, e seus direitos tolhidos.
Países como a Arábia Saudita, por exemplo, despendem milhões de dólares a cada ano para enviar seus melhores alunos para estudarem em universidade de outros países, incluindo-se nisso mulheres. Porém, nesta mesma nação, é negado a elas o simples direito de dirigir. Omar Bawhab, jovem farmacêutico de apenas 22 anos e morador de Meca, na Arábia Saudita, acredita que o país caminha para uma igualdade maior no futuro, mas suas palavras mostram o quão diverso é este mundo do que encontramos na América. “É uma estupidez este tipo de proibição e não tem nada a ver com o Islã, mas sim com uma perspectiva cultural daqui.”
Já Sami Ali, de 36 anos, que vive em Judá, acredita que é dever dos homens proteger as mulheres, e não deixar que elas corram perigos como, por mais incrível que isto possa parecer aos olhos ocidentais, dirigir: “É meu dever como marido levar minha esposa onde ela precisar, preciso cuidar dela a todo momento, e deixá-la dirigir não seria bom da minha parte, pois não estaria a protegendo.”
(fiz este em dezembro de 2006, mas achei legal compartilhar com quem ainda tem muitas dúvidas sobre o Islã)
Publicado em agosto 26, 2008, em No Brasil e marcado como muçulmanos, mulher egípcia. Adicione o link aos favoritos. 6 Comentários.



Oi, bom vou dar minha opnião pode?
sou sincera,… espero que não seja visto de forma ruim isso
Eu não gosto de veus, detesto alias, tenho cautrofobia de ver as mulheres se cobrindo, e muita raiva dos homens por isso, porque penso que simplesmente elas não evoluiram, os homens ja usam bermudas e jeans, e elas cobertas dos pés a cabeça… acho isso uma tremenda falta de desigualdade. pq eles podem e elas não
juro que achei ridiculo na arabia saudita eu ver os homens de camisa aberta e as mulheres de baya
eu acho muita injustiça =[
não gosto mesmo
eu uso ate um dupatah, acho bonito, na moda e sulficiente para cobrir os cabelos, e as mulhers podem usá-lo na hora das orações…
mas e os homens? nesse ponto eu sou super feminista
um dia meu bf, me perguntou mas os cabelos das mulheres levam os homens a terem pensamentos maus, eu respondi mesma coisa acontece com as mulheres que veem um homem de bermuda, de jeans e sem nada cobrindo os cabelos, eu gosto dos cabelos dos homens, e isso pode ser um atrativo… com isso ele se convenceu no direito a igualdade dos dois.
Marina - Oi Carol, este é um ponto meio complicado de se discutir, ainda mais se vc não for muçulmana eu entendo que pareça algo como machista ou não evoluído. Mas o véu é algo que, quando vc entende e usa, muda completamente sua maneira de pensar. Eu no Egito pude usar véu livremente, e deixei de ser julgada pelo meu corpo ou se estava com uma roupa marcante ou não. As pessoas simplesmente não viam meu corpo e nunca me senti tão livre. Dentro do conceito brasileiro de beleza eu não me encaixo em nada, e sofri muitas vezes por comentários das mais diversas fontes, olhares, por não ter o padrão esperado. O véu foi uma libertação, e se vc ver minha foto do blog, eu justamente estava com roupa de ir a praia e nadar. No Brasil eu já não ia para praia há anos, por causa desta coisa de ficar exibindo o corpo e ser valorizada apenas por isso. As mulheres brasileiras tem a tendencia de gostar de decotes, roupas chamativas, porque este é o valor que a sociedade dá para as mulheres, e conheço homens que gostam ainda de uma namorada gostosa para sair mostrando por aí. Já um marido muçulmano não, protege, cuida, e quer o seu bem mais amado, que é a esposa, se mostrando apenas para ele. Isso faz um bem para a relação que vc não tem idéia, ter a certeza de que só seu esposo conhece seu corpo e pode vê-lo.
OS homens no oriente médio também são mais recatados na vestimenta, acho estranhao vc falar de camisas abertas, porque nem bermuda eles usam, é bem raro. Andar sem camisa para eles também é impensável. Bom, isso é uma conversa longa, só tentei mostrar para vc que as mulheres muçulmanas – a maioria – sentem orgulho do véu e entendem a importância dele. E se as mulheres brasileiras também parassem de serem vistas como objetos e agirem como tal, talvez tivessemos mais relacionamentos saudáveis e casamentos, como vi no Egito
algumas brasileiras sim, mas eu não, e não sou muçulmana
sim, respeito o seu gosto, e se isso te faz sentir bem é isso o que importa
eu vi na arabia saudita, quando eu estava no aeroporto (bermudas e camisas abertas)
eu critico, pela falta de igualdade
parece que os homens evoluiram, já as mulheres não, continuam com aquela mentalidade de proteção
OI Marina
andei, pensando espero que você não tenha ficado chateada, nenhum dos meus comments teve como objetivo te atacar ou criticar, só estava expressando minha opnião
porque alguns casos eu acho é uma desigualdade e extremismo
bjs, obrigada pelas orações
Carol – Imaigna Carol, pelo contrário, eu é que fiquei com medo de tentar explicar muito, pq não quero parecer chata… mas é uma tema complicadinho mesmo! Obrigada por estar passando por aqui! beijos
Salam, Marina!
engraçado que todas nós,ocidentais, bradamos contra a “tirania” do véu e nos esquecemos da “tirania” de ter sempre que andar gostosa, na moda, com bundão, peito duro. Isso, na minha opinião,é que é ridículo. Eu estou cansada de ser olhada apenas como um “pedaço de carne” nas ruas. Adoraria poder usar hijab,roupas compridas etc.
Por outro lado, eu não aguentaria ficar tão coberta assim, sou muito calorenta!!! Pô, como é que a mulherada aguenta? Ser muslim na Inglaterra deve ser fácil, agora eu nem quero imaginar como é ser muslim no deserto rsrsrs. E agora olhando a foto,é que tbm me dei conta: Pq o Mostafa está com os braços de fora,bem a vontade, e vc está toda coberta? Aaaah,Marina, isso não é justo…. a mulherada não morre desidratada? =O
Beijocas!
Gurias,
Conheci um egipcio, chamado Mohamed, ele virá ao Brasil para me conhecer, ele fala que sou esposa dele enviada de Deus…tenho medo da cultura do Islã em que a mulher é segregada, mas ele é um encanto….e falo muito sobre a mulher brasileira….seu comportamento….ah sei lá…vou deixar rolar, mas não me imagino seguindo essas regras islâmicas.Ele disse que tem direito a ter 4 esposas, acho um absurdo..