Nunca julgue o livro pela capa (ou uma pessoa pelo que ela aparenta ser)
O ser humano é sempre cheio de falhas. Quando nos afastamos do conhecido, então, nos tornamos por vezes cegos e preconceituosos. E cair em erros deste tipo é fácil quando mudamos totalmente nosso estilo de vida e partimos para outro país.
Quando fui para o Egito, me considerava uma pessoa aberta e pronta para descobrir novas aventuras em uma cultura totalmente desconhecida para mim. Eu já era muçulmana, mas até aí meu maior contato com árabes foi em algumas poucas oportunidades dentro da mesquita, e nada que passasse do momento de oração.
Uma das coisas que após meses de Egito descobri, é que as mulheres lá são totalmente diferentes das brasileiras. Não dá para conversar como eu converso com minhas amigas aqui, nem muito menos me expressar com a liberdade que eu estava acostumada. As egípcias tem um modo todo particular de colocarem opiniões, nunca falam nada diretamente, é praticamente impossível que elas sejam grossas ou digam na sua cara o que pensam sobre vocês.
Elas andam sempre em grupos, de mãos dados ou braços entrelaçados, riem baixinho e sempre estão falando bastante. Mas eu não sei sobre o que elas tanto conversam. Quando chegam em mim, ficam me fazendo perguntas tolas, do tipo onde comprei minhas roupas, quando vou ter bebê e se meu marido é gentil comigo.
O grande sonho de toda menina egípcia é conseguir um bom marido. E nisso se inclui um que seja capaz de comprar um apartamento aonde elas quiserem, entregar presentes de ouro no noivado e preparar uma boa festa. Como acompanhei alguns noivados de perto, meu sangue fervia ao ouvir as exigências delas. Eu achava tudo uma grande negociação, e por vezes minha opinião é de que elas se vendiam por um casamento e este tipo de relação seria frustante para o resto da vida destes casais.
No Egito existe um modelo de casamento que se chama “saloon”. Os filhos solteiros pedem que os pais procurem um partido ideal, e conversam com amigos e parentes para ver se sabem de alguém disponível. No casamento saloon, o noivo precisa já ter um bom emprego ou uma família que consiga dar apoio financeiro, pois a noiva vai exigir muito ouro, apartamento e a festa completa.
Nesta hora, não existe timidez nenhuma. Eles falam de valores, a noiva estabelece quanto de ouro – em dólares – quer receber. E o noivo faz a promessa de cumprir tudo. Alguns nem vão morar no Egito, pode ser que trabalhem um ano ou mais em algum país do golfo para juntar todo o dinheiro necessário para a cerimônia. Casar no Egito custa muito caro, e algo muito importante para a sociedade. No Facebook, onde tenho várias conhecidas egípcias, me canso de ver fotos de noivado, onde a estrela principal é o ouro ganho. Tiram fotos dos presentes, geralmente entregues em bandejas decoradas com flores e chocolates. Quando eles trocam alianças, geralmente o máximo de intimidade que trocaram antes foram algumas conversas sobre onde querem morar, onde estudaram e como querem a festa.
Confesso que ontem a noite vi mais algumas destas fotos e fiquei meio revoltada. Já estou longe do Egito há um ano, mas esta mentalidade de ficar mostrando os presentes que ganharam e estas festas cheia de doces me irrita, porque depois de casados a única função delas se torna parir filhos, e é disso que elas tiram o sentido para continuar vivendo.
Então ontem, neste meu momento de revolta, apareceu uma vítima no meu MSN. Uma ex-aluna egípcia, para quem eu dei aulas. Falei oi e logo soltei:
- Quando alguém se casa no Egito, precisa ganhar ouro?
- Mas por que você quer saber isso?
- Porque estou escrevendo uma reportagem sobre casamento no orimente médio – menti.
- Ah, eu posso perguntar para minha família, mas sou muito nova ainda e não vou me casar agora.
- Eu sei, mas você deve saber estas coisas. Porque eu vi várias meninas no facebook com estas fotos cheia de ouro agora.
- Bom, se o seu marido for pobre ele te dará ouro. Se ele for rico, te dará diamantes.
- Mas eu casei e não fiquei pedindo ouro, para mim este costume é meio estranho. – retruquei.
- Se você fosse egípcia, iria pedir ouro. Faz parte de nossa tradição no casamento e com certeza você iria querer.
- Acho que não, eu ia preferir uma lua de mel em Paris ou na Itália. Algo mais útil.
- Eu acho que não.
…..
Ela então para de falar e me volta com outra pergunta:
- Mas Marina, você não me falou se já teve bebê ou não?
- Eu ainda não, não sou uma esposa egípcia…. ehehe Prefiro esperar
….
Silêncio… ela espera um pouco e me manda um emoticon com cara de choro e diz:
- Vocês ocidentais não respeitam nosso modo de ser e não entendem como vivemos.
- Não, eu só estava brincando com você. Meu marido é egípcio e amo o Egito.
- Eu sei, mas estou cansada de não sermos entendidas e as pessoas acharem que vivemos de forma errada.
Passei mais meia hora pedindo desculpas e me sentindo mal por ter sido tão direta com esta menina. Realmente não entendo como elas pensam ainda, mas quem disse que cabe a mim entender? Eu nasci longe disso tudo, fui criada para trabalhar e não depender de ninguém, enquanto a perspectiva delas é cuidar bem do marido e ter filhos. Quem está certo ou errado? Acho que nenhuma de nós, apenas temos perspectivas diferentes de vida e cada uma sonha com o futuro de forma diferente. Continuo achando muito estranho este costume de se casar somente pelo que o marido pode oferecer financeiramente, mas no contexto social e cultural onde estão, isso é o certo e o ideal a ser feito. Elas não se importam em passar férias com o marido, mas ter fotos com muito ouro para mostrar para as amigas. Enquanto eu trabalho aqui e mal tenho tempo de cuidar bem da minha casa, elas fazem todo o serviço doméstico e passam a tarde em shoppings. Cada um faz sua vida e suas escolhas e um dia ainda vou aprender a conversar com estas egípcias sem machucá-las.
Publicado em agosto 26, 2008, em No Egito e marcado como casamento árabe, casamento no Egito. Adicione o link aos favoritos. 15 Comentários.



NOSSA
na minha opnião é que a maioria das mulheres muçulmanas de países muçulmanos tem essa mentalidade
elas estudam, mas isso é para o curriculo delas para conseguir um marido melhor… e acabam dedicando a vida a isso, casar, e parir a criançada… ehhe
é só isso..
quando comecei meu contato com os paquistaneses, ele logo que falaram que nos somos bem diferentes delas, e eu quis saber o pq, eles me falavam que nos não eramos interesseiras como elas, elas logo queria saber do dote, de oros, de festas etc. no há amor, há um casamento arranjado por interesse.. simplesmente isso..
depois a função delas é isso ter filhos.. algumas ainda trabalham como professoras ou enfermeiras, mas você nunca encontrará facilmente uma engenheira la lolz
Para elas, esses tipos de casamento e funções indica proteção e uma vida confortavel, assim também como o uso do véu.. ufa
Marina - Oi Carol, vc tá certa qdo diz que muitas estudam só para incluir isso no cv do casamento… ehehe isso porque um médico, geralmente, vai querer casar com uma mulher que fez farmácia ou medicina também. Rola bem estas coisas malucas. Mas também não dá para gerenalizar totalmente, tentei mostrar isso no meu post, que me arrependi de fazer julgamentos sem ter nem nascido lá e viver como elas. Quem me diz se eu ou você não fôssemos egípcias, estaríamos sonhando com nosso casamento cheio de ouro… ehehe Só estou um pouco preocupada com a visão do véu que vc está tendo, como se fosse algo que só muçulmanas arcaicas ou sem cultura que usassem. Eu mesmo, jornalista formada e tudo, faço questão de usar véu e me sentia “poderosa” com ele. Nada de vida confortável ou submissão. Eu no Brasil não uso véu – tentei usar – mas a sociedade não aceita e meu trabalho também me negou este direito. É uma pena, pois seria bom um mundo em que todos pudessem praticar a sua religião livremente. E não estou defedendo nenhum dos lados, sei de famílias muçulmanas que não aceitam estrangeiras, mas conheço outras muito abertas a conversa. Assim como no Brasil sofri diversos preconceitos também – mesmo estando com véu ou sem véu – e ouvi coisas absurdas sobre muçulmanos, como se todas as pessoas pudessem ser julgadas só por pertecerem a uma determinada religião. beijosss
Ola Marina, obrigada pela visita!!! Seja sempre bem vinda!!
Realmente nao apareceu comentario seu…. tem horas que o google revolta…
Gostei bastante do seu blog tambem e voltarei mais vezes.
A respeito do seu post, eu as vezes fico aqui sem entender, pois aqui moram muitos muculmanos, e as vezes vejo as mulheres de veu, na rua, em alguma feira, no supermercado e varias vezes elas estao aos gritos com os filhos e é de uma maneira bem exagerada, e todos que estao perto, as vezes nem tao perto ficam tambem assustados… Ai penso: cade todo o recato???
Abraçosss
Marina - Oi Laura, obrigada pela visita. Eu acho q nem todas as mulheres árabes são escandalosas assim, com os filhos e crianças elas tem um comportamento um pouco diferente do que o nosso, até mesmo quando eu dei aulas no Egito, minha assistente era egípcia e ela do nada dava uns berros com as crianças. Para muitas delas ter poder é gritar… ehehe Mas as famílias egípcias – não digo árabes pq não morei em outro país – são muito calorosas e lembram aquelas grandes famílias italianas. Eles são muito grudados e adoram se reunir. Talvez fique uma impressão externa errada, por causa deste modo de educar deles meio aos berros. Mas o recato da mulher e o fato de ela usar véu não tem relação com o fato de ela gritar ou não com os filhos, mas sim de esconder seu corpo. Não estou dizendo que toda mulher de véu é santa não, assim como nem toda menina de shortinhos é “da vida”… Muita gente não entende e se sente ofendida com a presença de uma mulher com véu, eu mesma andei na Suíça de véu e foi uma experiência terrível e humilhante. Bom seria se cada um pudesse andar livremente como quisesse né? O que não é certo é um ficar julgando o outro, mulher de véu achando que o resto é dada, e as sem véu achando que as muçulmanas são reprimidas ou mulher bomba, coisas deste tipo. ehehehe
beijos
Oi Marina querida!!! Como vai vc…tudo bem??


Gostei muito do post q vc escreveu, principalmente do final…
Sabe querida, nao importa “quem” esta certo ou errado….Tive pai arabe e mae brasileira…Uma educacação extremamente fechada pelo lado do meu pai, e pelo lado de minha mae um “pouco” mais aberta…nao muito, pq minha mae tb era uma pessoa bem conservadora….
Nao acho errado as meninas pedirem ouro, serem protegidas, como tb nao acho errado, moças q trabalham e sao independentes financeiramente. Afinal cada pais tem sua cultura, qdo conseguimos ” enxergar” além, passamos a respeitar isso com naturalidade.
Estudo o Islam sempre e gosto muito dos principios da minha religiao e nao nego q sou muçulmana, pq sou descendente de arabe e meu pai sempre teve uma grande(positiva) influencia em minha vida….eu particularmente nao uso hijab, apenas qdo vou a mesquita para rezar ou estudar….mas respeito quem usa..afinal nao se usa o véu por submissao ao Homem, mas sim á Deus…e é muito bonito isso. Da mesma forma q os cristaos usam a cruz, ou os judeus usam o Kippá…e nao sao criticados.
Sobre as mulheres pensarem apenas em ter filhos…vc sabe como no mundo arabe, se dá valor a filhos….é um a cultura paternalista. E vc sabe o qto isso é respeitado nos paises arabes, uma mulher com filhos, q se dedica a familia, ao marido, aos pais. Isso é errado? Tenho certeza que nao.
É errado uma mulher estudar, ser independente? Nao, também.
Quem esta errado? Ninguem..
Como vc mesma disse: nao julgue um livro pela capa.
Voltarei mais vezes, pra te visitar.
Afinal, ja disse a vc, gosto muito da forma como vc escreve.
Beijos
Salamat
Marina - Oi Samira, obrigada por ter voltado aqui! Eu tentei colocar um pouco destas dúvidas que senti, às vezes a gente diz que o outro errado, mas precisamos pensar muito e refletir antes de julgar. Vc disse algo certo, o hijab é submissão a Deus e é difícil tentar passar estes conceitos num blog, ainda mais pq não tenho contato com nenhum sheik que possa me ajudar nestas questões religiosas para explicar de uma forma melhor. Mas quis passar exatamente esta mensagem, as mulheres podem ter estilos de diferentes, e cada uma sonhar com uma vida diferente. Cuidar da família é mto importante lá e valorizado, talvez a gente não dê mais o devido valor às famílias aqui, por isso vemos tantos problemas de relacionamento. Eu mesma, da parte da minha família brasileira, me sinto distante de várias pessoas aqui, porque elas simplesmente não se importam se são do mesmo sangue ou não, só querem estar perto se for conveniente.
Pois é Marina querida….
Meu pai sempre falava isso: familia aqui no Brasil é diferente de familia num país arabe, ele sempre sentiu muita falta disso.
Aqui se ama apenas os mais proximos(quando se ama), mas existe amor. Em familias arabes, “todos” se amam. Logico, nem todas as familias sao assim….mas culturalmente é assim….é muito mais facil se amarem e estarem reunidos do que o contrario.
Sem contar o senso de responsabilidade entre pais e filhos.
Os filhos sao responsabilidade dos pais ate o fim da vida e vice versa. Os filhos tem por obrigação cuidar dos pais, no fim de suas vidas, amparando-os, nao deixando faltar nada a eles…
Aqui, na nossa cultura do Brasil. é muito comum verem filhos colocarem seus pais em axilos…e as pessoas acham normal isso e ate apoiam essas atitudes. Sempre alegam: “nao tenho tempo de cuidar,trabalho fora, nao tenho espaço fisico, nao tenho quem me ajude, nao tenho isso, nao tenho aquilo” …
Meu pai ficou muito doente, antes de falecer; eu cuidei dele em casa, cuidei para q nao faltasse nada a ele: médico, alimentação correta, uma cama e roupa sempre limpas, e principalmente atenção. Porque aprendi em casa com ele: Filho tem obrigação de cuidar dos pais, qdo eles precisam. isso ta no Alcorao.
Nao foi facil cuidar dele, muitas vezes falhei, mas jamais pensei em coloca-lo em um axilo. Era obrigação minha, como filha. Por tudo q ele fez por mim, por tudo q ele me amou, eu deveria no “minimo” fazer a minha parte!! Fazer o que aprendi com meus pais: RESPONSABILIDADE E AMOR!
E te falo: tenho muito orgulho de ter cuidado dos dos dois(minha mae tb ja faleceu).
Desculpe se fugi do tema….mas queria apenas te passar o que penso com relação a familia.
Querida, fique com Deus! Que ELE esteja com vc todos os dias de sua vida!
Um beijo. Salam
Eu gostaria de falar que nao julgo ninguem pelo que aparenta. Nao posso, estaria sendo terrivelmente hipocrita. Sera’ que realmente alguem pode dizer que nao faz isso?
E’ interessante notar que a sua ex-aluna ficou chateada com a forma que elas sao julgadas por nos. Interessante pq somos julgadas por elas na mesma medida.
Existe uma grande diferenca entre opiniao e preconceito. Eu tenho minha opiniao, que foi moldada, de acordo com tudo o que vivi na minha vida ateh aqui: educacao que meus pais me deram, exemplo que meus pais me deram, escola, amigos, empregos, erros e acertos. Nao tem jeito de eu ver o mundo delas como elas veem pq simplesmente, mesmo se eu morasse la’, eu nao nasci la’. Da mesma forma elas nunca entenderao nosso mundo completamente.
No entanto, ha’ que se “aceitar” a forma que cada um aceita viver, levando sempre em consideracao tudo que e’ justo, tudo o que edifica uma pessoa (homem ou mulher) e nao o degrada (nao sei se essa e’ a palavra certa, desculpa).
Vejo coisas muito boas em outras culturas, e sei que minha cultura ocidental tem coisas muito ruins. Eu entendo o que vc falou sobre esse negocio de casamento=ouro, mas nos, os ocidentais, idolatramos o dinheiro de uma forma terrivel.
Eu realmente gostaria de viver num lugar aonde eu nao fosse julgada, ou pre-julgada, pela minha aparencia, por eu ser mulher, pelo meus gostos, pelo que penso, pelo jeito que gosto de viver. Shangri-la’.
So’ posso pedir a Deus que me de sabedoria suficiente p/ nao julgar, e tentar entender mesmo que nao aceite.
BJS!
Oi Marina!!! É sempre um prazer enorme visitar seu blog, adoro!!! Vc me perguntou se eu tinha um blog…infelizmente nao tenho (tive 2, que “morreram” por falta de post…rs).
Esse último texto foi muito útil. Eu e meu marido (moramos em Genebra), e vamos em outubro num casamento no Cairo. A principio, achei estranho um noivado tão rápido desse nosso amigo…Mas o seu seu blog foi super esclarecedor!!! Estou curiosa para assistir a cerimônia! Estava vendo alguns videos no youtube, e assisti um, na qual uma noiva mostra as suas jóias… (agora entendi!!…rs)
beijos e boa semana!
Marina - Oi Neka, nossa, vc vai adorar o Cairo, não sei se já foi, mas o Egito é um país fantástico para o turismo. Se der vá pra Alex
onde eu morava eehehe sou puxa saco de Alex. As cerimônias variam um pouco conforme o $$ mas nos que eu fui foi muito bom. Só achei que as festas acabam muito rápido, não se surpreende se em menos de 3 horas acederem as luzes e pararem de colocar música, tipo “expulsando” a galera. ahahaha
Sei que não deve-se julgar pelo o que se veste, mas eu até tolero uma dupatah ou hiijab.. so so
mas tem frustação de ver alguem de baya ou burca ai…
tudo isso porque acho q é injusto
os homens não o fazem
oieee to nova por akii kkkk vim le seu blogkkk
Me diz vc é muculmana e seu marido tambem????? é que to com um pequeno probela e gostaria que vc me ajudasse se possivel!!!!
Brigaduuuuuuuuuuuuuu
bauces!!!!!!!
fika com DEUS!!!!!
Marina - oii espero que volte mais vezes… te add no msn pra ver se posso te ajudar! bjs
Sobre este post… Quanto as Egipcias quererem muito ouro.. Creio que seja uma tradição. Uma especie de avaliação de prova do quão o homem a preza e a deseja como esposa. E o objetivo do homem se empenhar em dar este ouro é uma forma de que ele pode provar a escolhida o quão ele se empenhará em zelar por ela e que se preocupa com o seu futuro e em não deixá-la desaparada. Mas confesso que assuntos financeiros me deixam constrangida em relacionamento, sempre fui independente. Não sei falar sobre dinheiro com o Gamal. As vezes ele pergunta: Quanto custará? Quanto precisará? E eu desconverso, me sinto constrangida. Porém sei que terei um marido preocupado em prover o melhor para mim e minha filha, a qual ele já ama como se fosse a dele, e eu aos seus filhos. Não quero seu ouro, nem sua fortuna. Quero o seu respeito, cuidados, amor e carinho. Se manifestará em forma de ouro ou flores não importa,importa que sei quem ele é e ele sabe quem sou e quais minhas intenções…
Cara Marina,
Em nome das tradições muitas pessoas ainda vivem no século X, só ver os párias na índia, os rituais de extirpação de clitóris, sharia, estados não laicos… Tudo isso é feito em nome da suposta tradição, como se a modernidade vc o único elemento deturpador da sociedade.
Ng é contra o uso do hijab. A questão é que em grande parte do mundo muçulmano o hijab nao é uma escolha e sim uma obrigação social. É aceitar que as únicas responsáveis pelo desejo masculino são as mulheres, então a muçulmana vai lá e cobre o objeto de desejo, seu corpo. Como se os homens, coitadinhos, fossem incapazes de controlar o seu desejo.
Acreditar que Deus realmente mandou as mulheres se vestirem com modéstia é bem leviano. Só olhar a tradição das religiões abraamicas, todas mantem o poder dos homens, em um mundo masculino…Não é feminismo, é a realidade.
Veja, sou a favor da consciencia e do direito de escolha. Se vc acredita que o seu papel é ser submissa e vive assim, então vc vive de acordo com a sua consciência. A grnade questão é que a maior parte das mulheres no mundo ainda não tem plena consciência do seu papel, não sabe qual escolher e as vezes nem tem o direito a escolha.
O grande problema dos extremistas, como no Islã, é acreditar que um mundo cheio de escolhas é o vilão…Viver em uma sociedade onde vc é responsavel por si é muito mais difícil, complexo e desafiador do que deixar que os outros (familia, país, marido, cachorro, padre) escolham por vc…
Vou apenas qualificar como peculiar, esse costume muçulmano no casamento…A visão de um objeto(ou assunto,comida, lugar,costume e etc ,etc) é variável de acordo com a posição de quem olha…Tantas diferenças e opiniões entre povos q veem o mesmo sol e lua, e respiram o mesmo ar…Particularmente, sou da mesma opinião da Marina. Também sabemos, que mesmo entre nós ainda existe “certas” exigências, para um casamento. Muda os objetos em questão e quem se responsabiliza pela despesa geral. Mas, no final o objetivo é o mesmo; exibicionismo e satisfação social…
Não digas nada! É aquilo com que me tenho surpreendido mais aqui. Está complicado arranjar amizades com egípcias jovens da minha idade. O choque de mentalidades é tão grande que eu nem tento. O meu marido apesar de egípcio desde que o conheço sempre me disse que não encaixa o modo como as mulheres pensam aqui(uma série de coisas é tradição, eu sei),mas essencialmente porque a mama dele(uma mulher fantástica, adorável, doce, terna) sempre batalhou para criar os 9 filhos, pois o marido estava no kwait longe e nem sempre chegava o dinheiro e acabou por educar os 3 filhos rapazes mais velhos a procurarem mulheres que os ajudassem a crescer na vida como seres humanos, a darem uma opinião e a partilharem responsabilidades.Foi isso que o meu habibi procurou e não sou mesmo o estilo de fazer essas exigências porque não fui mentalizada para isso. Aceito, mas por favor não me peçam para entender como alguém só é feliz se tiver estes bens materiais….eu sei que é uma seguraça em caso de doença ou viuvez, mas…não entra aqui dentro desta cabecinha teimosa…
“What’s the sense in sharing this one and only life
Ending up, just another lost and lonely wife
You count up the years, and they will be filled with tears, oooh
Love only breaks up, to start over again
You’ll get the babies, but you won’t have your man
While he is busy loving every woman that he can, huh huh
Say I wanna leave a thousand times a day
It’s easier said that done, when I just can’t break away
Just can’t break away
Young hearts, run free
Never be hung up, hung up like my man and me (oooh)
Hmmm, my man and me
Young hearts, to yourself be true
Don’t be no fool when loving is all there is (oooh)
I said I don’t love you
It’s high time, just one crack at life
Who we want to live in, trouble and strife
My mind must be free, to learn all I can about me
I’m gonna love me for the rest of my days
Caress the babies every time they say
Self resevation is what’s really going on today, oooh
Say I wanna leave a thousand times a day
How can I turn loose
When you just can’t break away”
- Candi Station, Young Hearts Run Free
em marrocos não é muito diferente , sou casada com um marroquino, e as mulheres lá pensam esm casar-se para terem via estavel e coisas do tipo, so que la ouro é coisa ultrapassada , elas querem diamentes e euros , pois bem eu apenas ganhei do meu esposo um hijab para orar, claro ele me deu anel de casamento mas isso não entrou na lsita .
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