Jornalista, em qualquer lugar.
Publicado por egitoebrasil
Sou jornalista, por isso sou chata. Gosto de perguntar, de entender e costumo não acreditar em nada, a não ser que mostrem as fontes. Nessa categoria se incluem qualquer comentário que você faça, e-mail com corrente e notícias estranhas.
Atualmente escrevo sobre o setor de papel e celulose, e minha paixão sempre foi economia. Mostafa se acostumou com meio jeito explosivo e ácido, e me apoiou até mesmo em empreitadas um tanto quanto perigosas. Estávamos diante do plebiscito que faria com que o governo egípcio tivesse mais poderes sobre a população já sofrida daquele país. Não podia deixar aquilo passar, mesmo não estando mais ligada a nenhum meio de comunicação. Eis a reportagem publicada no jornal O Estado de S. Paulo, no dia 28/03/2007:
Mubarak triunfa em eleição suspeita /Egito
Data: 28/03/2007
Plebiscito aprova emendas constitucionais em meio
a denúncias de fraude e resignação da população
ALEXANDRIA, EGITO – “Com eleição ou não, vai ser do jeito que o presidente quer. Isso é o Egito”, afirmou ontem ao Estado um engenheiro, de 28 anos, que vive no Cairo, referindo-se ao resultado do plebiscito que aprovou 34 emendas à Constituição egípcia. As medidas, de acordo com a oposição, visam a reforçar o poder do presidente egípcio, Hosni Mubarak, restringir as garantias individuais, ampliar a proscrição dos partidos islâmicos e limitar a ação dos opositores do regime.
Segundo os números oficiais, as medidas impulsionadas pelo governo foram aprovadas por 75,9% dos eleitores. O comparecimento ficou em 27,1%. Essas cifras são contestadas. Para a oposição e organizações observadoras estrangeiras, menos de 10% dos eleitores compareceram às urnas.
“Não conheço ninguém que tenha ido votar”, diz o engenheiro. “Então, como é possível que haja um comparecimento de quase 30%.” Mas ele se resigna: “É muito normal que resultados de eleições no Egito sejam alterados.”
Um dos responsáveis por uma zona eleitoral de Alexandria, relatou que passou toda a manhã de segunda-feira sem ter o que fazer, pois poucas pessoas tinham aparecido para votar. “Por volta das 13 horas, policiais começaram a trazer em ônibus grupos de presidiários, funcionários públicos e eleitores recolhidos nas ruas”, disse.
“Davam às pessoas à cédula com o ‘sim’ assinalado, elas só tinham de ir ao colégio para assinar”, declarou outro estudante.
O plebiscito pedia que a população votasse a favor ou contra medidas como a eliminação de partidos com base religiosa, permissão para escutas telefônicas sem mandado judicial e a autorização para que homens que andem em grupo sejam abordados pela polícia e até presos, sem que tenham cometido nenhum delito.
As zonas eleitorais do país estavam preparadas para receber 36 milhões de eleitores registrados na segunda-feira, mas o movimento era pequeno nos locais de votação. As ruas estavam tranqüilas e o policiamento ostensivo não teve muito trabalho, já que também eram poucos os que se dispunham a protestar.
A série de emendas aprovada pelo Parlamento egípcio, de acordo com a ONG Anistia Internacional, se traduz na maior erosão dos direitos humanos nos últimos 26 anos no país”. “Como as pessoas votariam em favor da perda da própria liberdade? Alguém acha que 73% das pessoas aceitam que a policia possa entrar em nossas casas a qualquer hora sem permissão da Justiça?”, questiona um estudante de 21 anos. Para ele, que também não votou por prever a vitória do sim, “o pior é que falam na televisão que tudo isso é um avanço da democracia”.
PROPOSTAS POLÊMICAS
Artigo 5 – Proíbe a criação de qualquer partido político com estrutura ou base religiosa.
Artigo 62 – Permite eleições parlamentares em sistema misto, por lista partidária e distritos. A medida, na prática, impede que candidatos da proscrita Irmandade Muçulmana se inscrevam como independentes.
Artigo 88 – Nomeia uma comissão para a supervisão de eleições. Críticos duvidam que a comissão seja formada por independentes.
Artigo 179 – Permite a suspensão de direitos civis constitucionais em investigações de terrorismo, abrindo o caminho para que prisões, revistas e escutas telefônicas sejam feitas sem a necessidade de um mandado. A oposição teme abusos.
***
ps. Mostafa está super curioso para ver nossas eleições deste ano aqui no Brasil. É a primeira vez que ele está vendo campanhas eleitorais. Ele nunca votou na condição de cidadão egípcio, mas acha que os políticos daqui não são tão diferentes da ditadura que existe por lá. E não é que tem razão?
Publicado em agosto 13, 2008, em No Egito e marcado como Hosny Mubarak, jornalismo, política Egito, reportagem Egito. Adicione o link aos favoritos. 1 Comentário.



hehe.Sou a única a comentar este post.Porreiro!Bem, não direi muito porque a minha opinião em relação a este tema é tão revoltada que nem consigo arranjar expressões que mostrem o nojo que sinto desse homem chamado Mubarak. A nação próspera e maravilhosa em termos de infra estruturas e condições que podia ser o Egipto, sim porque os recursos estão lá, mas aquele desgraçado “corta as pernas” a quem quer andar. Já nem faço qualquer comentário à miséria humana(sim Marina, porque no Cairo vês situações bem piores do que em Alexandria) e a situação das camadas jovens que simplesmente não conseguem…. Como é possivel este homem deitar a cabeça na almofada e doemir?Há rumores de que vem o filho para o poder. Enfim, acho que o Mubarak não é assim tão estúpido….
bossy habibty, desta vez fico por aqui.estou embriagada pelo teu blogue.ficarei à espera que me digas algo…
Salam…