Blackout e o fim do mundo
Tínhamos acabado de chegar da locadora com vários filmes para assistir. Confortáveis no sofá, gatinhos no colo e um copo de Coca geladinha na mão. Nem chegamos a terminar de ver os trailers, a luz piscou algumas vezes e Musta correu pra tirar tudo da tomada.
Sorte que mês passado já tinha acabado a luz uma vez e eu tinha um estoque novinho de velas no armário. Acendemos umas quatro. Os gatos burros ficaram insistindo em querer cheirar a chama. Tento tirar, mas não dá, é uma distração e a Nina enfia o nariz no fogo. Só ouço um “shishshshs”, os bigodes dela se enrolam como num passe de mágica, tudo queimado.
Olhando pela janela vejo que o apagão era grande. Já imaginei um blackout mesmo, pois quando é regional geralmente se apagam apenas algumas áreas da cidade. Peguei o celular para ligar para minha mãe que mora do outro lado da cidade. Celular sem sinal. “Ai, será que é tão falado fim do mundo?”. Comecei já a divagar. O que eu teria de fazer se a luz nunca mais voltasse e a gente não tivesse mais telefone? Nossa, eu ia ter de ir a pé vários quilômetros até a Zona Norte para ver minha mãe. Ué, mas falei de falta de luz, não de gasolina… Ah, mas aí como o posto de gasolina ia funcionar? Será que funciona sem luz? Ix, e como vou tirar o dinheiro do banco? Será que banco dá dinheiro se não tem sistema de computador?
Falei pro Mostafa que sem luz no mundo a gente estava ferrado, porque nossas profissões não iam ser de muita valia. Não íamos precisar tanto de inglês porque ninguém ia ficar viajando ou falando pela internet com gente de fora. Eu, como jornalista, ia ter que procurar algum lugar com máquina de escrever para trabalhar. Mas será que iam ter máquinas de escrever suficientes no mundo para essa nova realidade?
Fiquei pensando. E agora, como vou saber se o que está acontecendo é o fim do mundo? Não tem TV, não tenho radinho de pilha e minha internet está fora do ar. Lembrei do MP3 de camelô que eu tenho. Aquilo tinha rádio, lembro. Achei o negócio, roubei uma pilha do controle remoto e coloquei o fone. Algumas rádios no ar falam que falta luz em quatro estados.
Em Brasília tem luz. Ah, no resto do mundo também tem luz. Então tá, acabaram-se então minhas teorias sobre o que fazer num mundo sem luz, tudo isso é incopetência mesmo do nosso governo. O ministro falou na rádio que o apagão pode ter sido ocasionado por “situações meteorológicas”. Ráááá, conta outra tio, um país desse, entre as 10 maiores economias do mundo, fica sem luz por causa de chuva? Só te perdoava se fosse um furacão.
E foi lá em Itaipu. Ih, não é lá que já falaram que o Bin Laden se escondeu? Do jeito que a coisa anda, daqui a pouco já vai ser culpa de muçulmano o apagão também. Terrorismo, protesto contra a presença de Madonna no Brasil, que além de ser meio judia vive de roupas curtas por aí. Jesus, acende a luz!
Enquanto eu divagava, Mostafa fazia um chazinho de maçã. Ele estava bravo que eu fiquei ouvindo a rádio e larguei ele sozinho. “Desliga isso, Marina!!!”. Tá bom, pronto. “Mas e aí, o que a gente faz agora?”, perguntei, perdida. “Ué, vamos conversar!!”, respondeu, como se eu tivesse esquecido de algo óbvio.
E aí esqueci a falta da luz, o fim do mundo, a Madonna e o Talebã. Ficamos batendo papo até altas horas, conversando sobre coisas nada a ver e o tempo passou. Quando nos tocamos, já era super tarde e eu precisava dormir. Afinal, nesse ponto já estava agindo como uma cidadã cética normal, com a certeza de que a luz voltaria antes do amanhecer e eu não ia ter desculpa nenhuma para faltar no trabalho.
Dito e feito. Às duas e pouco da manhã, as luzes se acendem, a TV liga sozinha e Tito solta miados de susto. Levanto, apago tudo e volto para meu confortável travesseiro.
12 comments Novembro 11, 2009
Eu também falo da menina da Uniban
Sei que pedi várias sugestões no post anterior e vou tentar atendê-las o mais rápido possível. Mas tem coisas que vão acontecendo no dia a dia e martelam na nossa cabeça, e sempre que paro aqui para escrever algo, são elas que despontam logo no meu pensamento.
Semana passada foi uma semana bem ruim, acho que é normal ficar de baixo astral e toda vez que estou de TPM é normal isso acontecer comigo. Os fatos que antes era chatos mas eu deixava passar batido, quando estou assim sensível viram o maior problema que fica martelando na minha mente. Mais uma vez passo a me preocupar com coisas que nem são da minha alçada, e outros problemas que me atingem diretamente ganham uma proporção ainda maior.
Uma dessas coisas que me encheu o saco semana passada foi essa história da menina da Uniban. Eu não vou julgar a roupa dela, a atitude nem nada. Não a conheço, não sei se ela fez algo provocativo, sei de muita mulher que gosta mesmo de causar e abaixa o nível quando pode, e a atitude dos colegas só mostrou que o ambiente daquele faculdade deve ser o mais deploráve possível. Até porque, me poupem, duvido que aqueles rapazes sejam a favor de moral ou qualquer coisa. Não estou entrando no meu discurso ideológico e religioso do que acho certo, pois minha religião só diz direito a mim e não posso obrigar outros e nem julgá-los pelas crenças que eu tenho.
Mas o que me incomoda em tudo isso? O fato de que os brasileiros, tão afeitos à liberdade, não sabem usá-la com cuidado e dignidade. Pedem uma revolução do vestinho cor de rosa, e misturam coisas que não tem nada a ver com isso, como comportamentos islâmicos. Quantas piadinhas sem graça não vi comparando a Uniban com talebã, falando de burca e Irã, além de outras coisas a mais envolvendo o islamismo com essa história?
Sei que os talebãs dão motivos suficientes para todo mundo fazer piadas com eles e os muçulmanos ajudam isso ainda ao dizer que eles lutam por Deus e que ninguém sabe o que acontece no Afeganistão de verdade. Uma coisa é defender o Islã e a criação de nações islâmicas, outras é tapar o sol com a peneira só pra não dar motivo de falarem mal da religião. Mas para mim, uma coisa não tem relação com a outra, temos sim que punir e condenar os muçulmanos que agem errado em nome da fé, para que o preconceito contra nós diminua e a religião se expanda de forma verdadeira. Eu nunca serei capaz de defender que mulheres não estudem, que todos devem se vestir de certa forma mesmo contra a vontade ou que casamentos forçados são naturais. Muitas decisões devem ser de fé e coração de cada um, não por imposição.
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Outra coisa que me chateia é algo meio corriqueiro para todos: o mundo corporativo. Sei que quem espera um mundo ideal morre de ideologia e pobre, mas não custa querermos que o ambiente de trabalho e nossas relações corporativas sejam um pouco mais claras e sinceras para todo mundo sair ganhando?
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Eu tinha escrito esse post antes e guardei, porque agora sempre que estou chateada com algo seguro e leio quando não estiver mais assim para ver se quero mesmo falar tudo que pensei. E pronto, passou. Apaguei metade do post e só deixei as coisas mais ligh ahahahaha Minha TPM passou já, ufaaa….
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E vamos as coisas boas da semana: comi sushi sábado e me esbaldei no salmão, mesmo assim emagreci essa semana
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Continuo na minha dieta, não estou falando dela porque quanto mais eu falo, menos eu faço. Então agora estou indo tranquila, num ritmo que meu corpo e cabeça aceitam.
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É bom comemorar porque só falta quase um mês para eu tirar uns dias de férias de novo, e desta vez com meu maridão
que vai ter as primeiras férias dele no Brasil! Alguém tem sugestão de lugar BBB – bom, bonito e barato – perto de SP?
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Mostafa anda ocupado todas as noites com as aulas e achei uma coisa inútil (mas legal) para passar meu tempo quando não estou ocupada. É algo que já tive antes, de criança mesmo, confesso, cheguei a ficar viciada uma vez e parei: Neopets. Agora só entro para ver os joguinhos e de noite, nada de exagero ehehe :d Melhor que a fazenda do Facebook!!! Se alguém tiver me procura lá, meu nome é tito_balooza (em homenagem ao meu gato) Se você não tem conta e quer fazer, usa esse link aqui para se inscrever, que assim eu ganho pontos também! ahaha (ops, já estou ficando viciada nos pontos de novo
) Já aviso que não é muito fácil de entender, mas é tipo um tamagoshi mil vezes melhorado, você cria um pet, mas tem um mundo para explorar, rolam uns desafios, coisa de nerd, geek mesmo :-p
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Mostafa anda cometendo umas gafes engraçadas no português. Ele tinha parado com isso, mas volta e meia ele vem com umas:
- Eu te ligo aqui da pouco.
- Ah, quero ir no cabeleireiro. Vou rasgar minha cabeça.
3 comments Novembro 10, 2009
Personagem muçulmana na Malhação
Gente, acabei de ver a abertura da nova temporada de Malhação e tomei um susto em ver uma menina de véu. Corri pra internet pra ver do que se trata e descobri que a série terá uma muçulmana, uma menina vinda do Irã que usa véu e enta se adaptar ao Brasil.
Fiquei até curiosa para assistir agora e ver como será o andar desta personagem, espero que não deturpem nada nem tirem valores dela!! É ver para conferir!
Para quem está curioso, aqui está a atriz:

Samira: muçulmana recém-chegada do Irã, de onde veio com a família fugindo da repressão. Sua mãe é brasileira. Fala fluentemente árabe, farsi e português e se veste de forma tradicional, com véus cobrindo os cabelos e roupas largas que não marcam seu corpo. Planeja estudar algo que a ajude a entender melhor o ser humano.
3 comments Novembro 9, 2009
Recadinhos
- Gente, esta semana passou voando, depois de tanta folga no feriado, passei a semana reclamando que queria mais folga… ehehe vida é assim né, quanto mais a gente tem, mais quer.
- O blog tem uma novidade legal agora, vocês podem dar notas para cada post, para isso é só clicar no título do post que ele vai aparecer com umas estrelinhas. Também é possível classificar comentários de qualquer um, dizendo se vc concorda ou discorda. Podem votar à vontade, vai ser divertido, é totalmente anônimo e não tenho acesso a nada, nem IP, então fiquem tranquilos e sejam sinceros principalmente na classificação do post, para saber o que agrada mais.
- Sugiram dicas de posts, se quiserem… estou meio sem inspiração esses dias ! ehehehe
10 comments Novembro 6, 2009
Pensando sobre religião
É engraçado como a procura por nossos antepassados é instigante. Sejam os cientistas, loucos por teorias da evolução; filósofos, para os quais a existência começou com a alma e a razão; ou religiosos, que nos fazem nascer do barro. Eu, reles mortal, patinava em tudo isso em busca de razões. E à medida que mais me procuro, menos sei de mim mesma.
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Existiu um tempo em que eu não entendia a religião, os credos e porque deveria confiar no que os homens me falam. Esperei ver um milagre na minha frente, fui em retiros e achava que ia ver Jesus passeando em alguma nuvem. Pedia alguma prova, mas depois ficava com medo de algum santo me aparecer de noite e me dar um susto. Falava para Deus então que eu não queria ver nada não, muito obrigada.
Aprendi sobre a ciência, li de cabo a rabo um livro sobre os dinossauros. Pensava em como o mundo poderia ter tido tudo aquilo, como espécies desaparecem. Ouço falar no fim do mundo, no aquecimento global, na volta de um profeta. Queria saber onde está Deus, fazia as perguntas básicas da filosofia: de onde vim, para onde irei?
Mas depois de viver perdida neste mundo, encontrei alguém que me tirou a poeira dos olhos e libertou meu coração. Algo inexplicável nos uniu mais do fisicamente. O que inquietava meu coração simplesmente sumiu. Aprendi novas coisas, um olhar diferente sobre Deus e vi lógica no mundo. Não, não virei criacionista. Muito pelo contrário, com a fé renovada vi muito mais sentido nas explicações da ciência, entendi a mágica dos buracos negros, a magnitude dos instintos animais e a ordem suave e constante da natureza. Se existe algo que nos deu origem, uma evolução da espécie, nada disso poderia acontecer sem um ponto inicial. É Deus que iniciou nosso processo de existência, sem Deus, mesmo com a evolução e mil Darwins dando ordens, nunca chegaríamos ao que somos hoje. Existe algo além do que podemos explicar dando sentido a todas as mudanças e a evolução não pode ser apenas do acaso. Ou por acaso nos tornamos humanos? Por um simples capricho da sorte estamos aqui, temos sentimentos e pensamos? Impossível. Não sei como os ateus sobrevivem a estas questões tão simples.
Vejo na ciência e religião complementariedades, não disparidades.
Um sorriso me escapa a cada vez que descubro mais coisas do nosso mundo e do universo. Já ouvi falar de massa negra tapando buracos no universo, da física que nos mantém grudados ao chão. E vejo coisas tão simples e grandiosas ao mesmo tempo, uma gota d’água evaporando na frigideira, uma brisa tocando meus cabelos. A cada mistério, em cada nova pergunta, só consigo enxergar a existência de Deus.
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Minha fé não veio apenas na forma. Ser muçulmana não significa apenas vestir certas roupas, rezar com a testa no chão ou dizer Salam Aleikom. Ter fé é sentir, estudar, buscar conhecimento que vai além de normas e regras a serem seguidas. Não me adianta de nada decorar mil hadiths ou dizer que sigo a sunnah, ir até Mekkah e chorar em frente à Kabbah se faço tudo sem entender que, acima de tudo, as provas de que Deus é grande – Allahu Akbar – estão no meu dia a dia e em qualquer lugar. E para exergar isso não existem métodos ou regras, é algo que nasce dentro da alma.
Não, não estou renegando nada, nem dizendo o que é ou deixa de ser obrigatório. Mas acredito que só vou deixar de ler notícias com menos preconceitos e piadas em relação a nós quando os próprios irmãos muçulmanos deixarem de pensar apenas na forma, nos julgamentos que fazem e nas desculpam que vivem criando para cometer abusos, e passarem a se focar no mais importante, em Deus.
(e o pior é pensar que o que escrevi hoje, para alguns muçulmanos será de ofensa grave.)
10 comments Novembro 4, 2009
Reality shows
Não, que Fazenda ou Big Brother o quê. Estou fazendo esse post pra dizer que amoooo reality shows de qualidade, sou viciada nos programas que misturam histórias de vida e documentário, ou quando mesmo em forma de documentário existe uma personalização de conteúdo e as coisas acontecem no improviso. Eu sou uma pessoa muito expressiva e faço caras e bocas quando vejo alguns programas nos canais da Discovery e NatGeo. Eu sei que nem todos tem esses canais, mas uma busca no youtube te salva, garanto!
Programas legais nessa onda:
- Férias na prisão. (O título não anima, eu sei, mas contas histórias de gente que foi para o exterior e por algum acaso foram presos – seja em prisão mesmo de criminoso ou sequestrados, por exemplo. Eu só vi dois programas até agora, fiquei espantada com o suspense, boa produção e as histórias de luta e perseverança. A última foi de um americano missionário que foi sequestrado nas Filipinas por um grupo islâmico ligado ao Al Qaeda… eu pulava na cadeira de tanta expectativa a cada cena.)
- Mayday. ( Esse é pra te dar muito trauma e frio na barriga quando for viajar. Mostra os aviões caindo, os porquês e tal… vi um no feriado de um avião lotado que simplesmente planou por vários quilômetros sem um fio de combustível até os Açores… aiii q medaaaaaaa)
- Não sabia que estava grávida. (Esse Mostafa me chamou de bizarra por assistir e me deu medo depois de ir no banheiro eheheheh Mostra histórias de mulheres que simplesmente começam a dar luz sem saber durante 9 meses que estavam grávidas auhauaha Tipo não engordavam, tinham ciclos menstruais e do nada vão no banheiro e entram em trabalho de parto… emoção total ehehehe)
- Zonas de guerra (é do jornalista Diego Buñuel. Ele vai em áreas de conflito e mostra de maneira bem informal como vivem as pessoas e os dramas de cada comunidade. Choquei com ele em Gaza.)
- Sem reservas. (Tá, esses dois últimos não sei se é bem reality show, mas como os apresentadores se colocam como parte da história e não existe muito roteiro, encarno dessa forma. Esse já falei antes e mostra o chef Anthony Bourdain viajando por aí. O cara consegue ser irônico só pelo olhar dele para câmera, vale a pena)
7 comments Novembro 3, 2009
Estresse por excesso de comprometimento
Passei esses dias longe de casa, longe do blog. E acabo sempre por refletir muito sobre minha vida, sobre o que fiz e no que posso ser uma pessoa melhor. Perdi muito tempo me frustrando com as pessoas, sem notar que boa parte das minhas mágoas são causadas por mim mesma e que nunca é tarde para mudar. Mas calma, esse não é mais um dos meus post de reclamação ou “mimimis”, como dizem hoje em dia. É sobre auto-conhecimento.
Tive uma ótima conversa com minha chefe num almoço durante a semana e ela é sempre sensível e excelente para analisar personalidades. Na hora que eu comecei a me abrir um pouco, ela falou claramente que via que eu estava “estressada por excesso de comprometimento”. Em outras palavras, disse que eu estava me comprometendo com coisas demais, que não eram da minha alçada, me preocupava e lutava por coisas que não são da minha responsabilidade. Por causa disso, muitas vezes me botava a frente de problemas que nem eram meus, penso que tenho solução para tudo e que poderia ajudar.
Mas nem sempre as pessoas precisam de uma resposta. Elas só querem falar, desabafar e eu não preciso sempre ter uma solução na manga, tentar dizer o que penso ou faria. É preciso dar o outro a chance de experimentar, de viver também. Os erros fazem parte da vida de cada um e não sou eu que vou salvar uma pessoa ao tentar ficar pulando na frente dizendo “faça isso”, “não faça aquilo”. Muito menos vou me dedicar a solucionar coisas de gente que mal conheço, que se abrem um pouco e eu já escancaro meu leque de ações e opiniões. Calma lá, Marina, respire e deixe os outros respirarem.
Vejo que errei muito ao falar com pessoas que me pediram ajuda sobre seus relacionamentos com egípcios e afins. Sempre falei o que pensava e o que faria e insistia naquilo quando achava que a mulher estava cega. Mas cheguei a conclusão que cada um passa na vida o que precisa, cada pessoa só aceita um problema para si porque quer. O blog tem tanta informação clara sobre como é o casamento e como saber se o cara é verdadeiro. Porque eu vou ter que ir lá, cutucar o ombro da moça e dizer “eii, você não leu isso e aquilo, não tá vendo que está sendo enganada?”.
Muita gente quer ser enganada, quer viver de sonhos, de ilusão e se eu mexer nesse tipo de coisa, a culpa sempre vai vir para mim depois. Se tento mostrar os problemas e abro os olhos de alguém é porque sou chata e terminei a relação dos sonhos deles. Se eu fico na minha e falo bem, que o risco vale a pena e a menina vai pro Egito e quebra a cara, a culpa também é minha depois, pois ela diz que não a alertei e a fiz ir para o Egito. Então é complicado, não sei ser uma pessoa que fica em cima do muro, por isso decidi simplesmente não falar mais nada sobre relacionamentos. Afinal, todo mundo tem direito de aprender, de errar, de tentar ser feliz. As informações estão dispostas não só nesse blog, mas em muitos outros lugares, nas mesquitas e livros. Quem procura acha.
Mas não é só nisso que sempre fiquei falando e me comprometendo em ajudar demais, como se fosse minha responsabilidade. Já passei horas com gente que só me pedia ajuda com documentos, tradução, como fazer visto e blablablá e achava que estava salvando o mundo. Aí a menina sugava o que precisava, simplesmente dava “tchau e benção” e nunca aparecia para falar mais nada, ou contar como estão as coisas, criar algum laço de amizade. Outro dia, até emprego para um cara que mal conheço tentei arrumar, nem e-mail de agradecimento da esposa recebi. Não sei se eu que fico esperando demais, algum reconhecimento. Mas eu não sou tão altruísta assim ao ponto de fazer as coisas sem esperar no mínimo gratidão em troca. Como disse outro dia, acho que minha cota de sorte nos relacionamentos virtuais deve ter estourado com o Mostafa.
Quem me conhece pessoalmente sabe que se me empolgo com um tema, viro uma matraca. Eu sou assim em tudo, destampo a falar o que penso e sinto e como diz aquele bom ditado, “em boca fechada não entra mosquito”. E quanto menos a gente fala, menos chance de falar bobagem tem. Como meu nível de blablablá é extremamente elevado, devo falar muito babaquice por aí.
Mas eu estou conseguindo mudar. Já larguei coisas que me faziam querer comentar, argumentar e expor a “verdade”. Que era minha verdade, não necessariamente o que os outros queriam ou precisavam escutar. Estou tentando viver mais na minha, em paz comigo e mais preocupada com o que realmente importa para minha vida.
***
Só para terminar, acho que o exercício de pensar sobre si mesmo vale para todo mundo. Sempre temos algo que podemos ser melhores, como fazermos coisas boas para as pessoas sem nos machucarmos e machucá-las. Isso é um exercício diário e eterno, acredito. E para quem pensa que seu jeito é assim e pronto, quem quiser que aceite, lembre-se que todos vivemos conectados nesse mundo, a ação de um influencia na vida do outro, não dá para pensar de forma isolada somente no que é bom para nós. Devemos ser mais agradecidos a quem tenta nos fazer um bem, mais fraternos com quem precisa de algo, mais responsáveis com nossas atitudes. É o que tenho tentado fazer.
Boa semana pós-feriado!!!
10 comments Novembro 3, 2009
Pausinha rápida
Tentei postar mais essa semana, mas não deu muito tempo!! Estou escrevendo para avisar que essa semana provavelmente o blog continua paradão, pois vou ficar fora de casa, ossos do ofício
Como não tenho nada pra postar agora, deixo com vcs meus bichanos lindos:

Tito decidindo: pulo ou não? (obs. não se preocupem, só abri a janela pra tirar essa foto, ele nao fica solto assim ehehe)

Nina aprendendo árabe pra se comunicar melhor com o papai Mostafa
7 comments Outubro 25, 2009
Inversão de valores
Hoje a minha amiga Teresa, que mora no Egito, publicou um post muito lindo sobre uma história no Egito. Entre aqui para ler.
Eu sei que o Egito é um país difícil para se viver, existem mil problemas e o maior deles é o fato de estarem numa ditadura. Sinto que a maioria das pessoas lá simplesmente parou de perceber o que é seu de direito e quais são seus deveres. Por isso, as ruas tem lixo, os prédios não são pintados (eles acham que é um dever do governo isso, limpar ou pintar) ou quando têm um problema sério como alto preços de comida e escolas caindo ao pedaços, acham que é um dever deles aceitar isso e pronto. Sempre senti essa inversão de conceitos por lá, é uma sociedade bem diferente, só vivendo vários meses para vc entender bem como funciona o raciocínio.
Mas estou falando tudo isso porque ontem vi uma notícia na televisão que me chocou. Um homem no rio foi morto a tiros por causa de um tênis e um blusão. E pior, a polícia parou perto deles, depois abordou os bandidos, e não fez nada. Aí que volto para a história da Teresa, que mostra como uma verdureira deixa suas coisas na rua dia e noite, mesmo sem ela olhar, e ninguém encosta a mão para roubar nada, mesmo com muita gente passando fome lá. Aqui se um caminhão bate, vocês sabem a fila de saqueadores que aparece logo atrás. Eu já vi com meus próprios olhos um caminhão se acidentar na marginal Tietê e carros e mais carros (de gente normal, não é nem “bandidão”) parando para roubar as caixas de cerveja que se espalharam pelo local, todos rindo e achando que deram sorte de ver aquilo, ao invés de ajudarem o pobre caminhoneiro, que ficou sentando na guia com a cabeça baixa esperando o guincho.
É complicado ver duas realidades tão diferentes, entender o que acontece em nosso mundo e não ter idéia de como mudá-los. Nesse ponto, virei como os egípcios em relação à corrupção. Por não conhecer um Brasil livre da violência, aprendi a achar que é meu dever andar de vidros fechados, que é meu dever não reagir e entregar tudo rápido se for assaltada. Também inverti meus valores.
Fico aqui sonhando, no dia que o Egito vai uma sociedade democrática em que alguns reais direitos sejam conquistados. E com um Brasil onde eu possa encontrar uma barraca de verduras na rua, sem ninguém vigiando.
11 comments Outubro 23, 2009
What’s up?
Gente, minha sogra foi pro Egito sábado pela KLM e hoje ela me contou que encontrou simplesmente umas cinco brasileiras também indo pro Egito. E elas estavam indo para se casar!! O que é isso, invasão? ehehehehe
Alguém tem teorias porque esse tipo de coisa está se tornando tão comum? Tem alguma leitora que estava nesse vôo?
beijos
27 comments Outubro 20, 2009



